10 junho 2008

Jornal Oculto- Produto da disciplina Lingua Portuguesa Redação e Expressão Oral


Imaginário popular alivia sofrimento

Dona de um rico universo cultural, a Amazônia possui um cenário mitológico povoado de botos, iaras, curupiras, matintas, visagens e rituais que configuram o imaginário popular, e que são repassados de geração a geração por meio da linguagem oral. Ainda nos dias atuais em Belém, é fácil de perceber rodas de amigos nas quais surgem contos fantasmagóricos de lendas. Tanto faz se for às noites em mesas de bares; ou em um fim de tarde, nas calçadas, à frente das casas; o papo rola solto e o costume permanece.

O autor paraense, Walcyr Monteiro, pensando nesse patrimônio reuniu em seu livro, Visagens e Assombrações de Belém, os ‘causos’ que entrou em contato. Estórias que misturam o cenário local, com a ficção, causam temor e fascínio aos leitores.

Segundo o professor da clínica de psicologia da Universidade Federal do Pará, Fernando Souza, “os contos passados de pessoa-a-pessoa resultam muitas das vezes de experiências perceptivas relatadas. Nesse sentido, elas teriam realmente existido”, comenta. Fernando Souza fala a respeito das impressões sensoriais que, quando exageradas e compartilhadas, desencadeiam o fenômeno da histeria coletiva. “O real é um mundo povoado de conflitos. A construção da fantasia é uma viagem a uma realidade melhor, por isso que o mundo imaginário alivia os sofrimentos humanos e são mais facilmente aceitos, além de servirem como explicação de rituais e da própria realidade. O medo, os fascínios provocam transe, medo e distorções perceptivas”, comenta o professor.